Wetlands: uma solução ecológica de tratamento de efluentes

O principal objetivo deste artigo é analisar e esclarecer dúvidas sobre a aplicação de wetlands. Embora a aplicação desta solução possa ser limitada por necessitar de comparativamente maior espaço, ou ainda por sofrer algum preconceito quanto ao seu potencial, todos os projetos realizados sempre foram muito bem sucedidos por os clientes. A Rotária do Brasil possui 15 anos de atuação no mercado, propondo e executando wetlands nos mais variados tipos de cenários (mais informações: tecnologias wetland). E, com base nesta vasta experiência, serão compartilhados alguns casos de aplicação já trabalhados pela empresa.

wetlandWetland da Rotaria do Brasil em Florianópolis, instalado para tratar os efluentes de uma loja

 

O que significa wetland e como é caraterizado?

A tecnologia wetland, ainda é conhecida no Brasil por nomes diversos, como: “filtro de areia plantado”, “wetland construído”, “alagados construídos” ou até “bio-jardineiro”. A Rotaria do Brasil chama de “sistema wetland”, por se tratar de um sistema que permite utilizar diferentes tipos de tecnologias e tem como foco um filtro plantado com macrófitas.

sistema-wetland

Quem não conhece o sistema wetland com certeza não identificará na foto uma “estação de tratamento de esgotos” (ETE), entretanto, o que se vê é exatamente um wetland. Essa é a ETE de um centro comercial em Florianópolis, que servia na época (2009) ainda para 125 equivalentes de habitantes. Todo o tratamento ocorre no filtro abaixo das plantas, ou macrófitas, e não é perceptível para as pessoas.

O esquema abaixo mostra um corte de um filtro, ou seja: a zona biologicamente ativa do material filtrante e das raízes, onde ocorre o tratamento realizado pelos microrganismos que formam na superfície das partículas do material filtrante um biofilme. Os Wetlands com escoamento sub-superfical (sem acumulação de efluente na superfície) podem ser projetados, principalmente, com fluxo horizontal ou vertical.

Wetland fluxo vertical Wetland fluxo horizontal
wetland-vertical wetland-horizontal

 

Qual o papel das plantas (Macrofitas)?

Sem dúvidas as plantas, e principalmente suas raízes, tem um papel importante para o processo de filtração, sendo que ao longo do tempo se desenvolvem diversas interações complexas dentro do filtro que contribuem para a boa eficiência do sistema wetland. Porém frequentemente são atribuídas caraterísticas às plantas que elas não têm: os processos de depuração do efluente no wetland, por exemplo, é feito exclusivamente pela atividade dos microrganismos, principalmente bactérias.

 

plantasDetalhe de plantas (macrofitas) de um wetland da Rotaria do Brasil em Biguaçu. O wetland trata os efluentes domésticos de uma fábrica (esgoto de banheiros e restaurante)

 

Por outro lado a presença de plantas faz  que os  sistemas wetlands possam ser utilizados como elemento de jardinagem, o que se torna interessante tanto para uma residência quanto para um empreendimento ou um município. Desta forma, pode-se combinar duas funções: a proteção ambiental através de tratamento e a criação de áreas verdes com aspecto paisagístico integrado ao urbanismo.

 

Regras básicas a se considerar para o dimensionamento de wetland

Partindo da máxima de que ‘no saneamento não existe milagre’, os wetlands devem ser dimensionados como qualquer outro sistema de tratamento, considerando as exigências e limites da tecnologia. O que diferencia wetlands de outras tecnologias para tratamento de efluentes é que ele necessita de uma área, muitas vezes maior, se comparado a outras soluções. Como exemplo: em wetlands de fluxo vertical deve-se calcular a área aproximada de 1,5m² por habitante atendido, sendo para os wetlands de fluxo horizontal é necessário quase o dobro. Dependendo do projeto pode ser possível reduzir este espaço até certos limites que deve ser avaliado por especialistas.

 

dimensionadoObra de um wetland para um condomínio em Palhoça, dimensionado para 2.350 habitantes (2007)

 

Um aspecto que torna os wetlands imbatíveis, frente a qualquer outro sistema decentralizado, é a sua capacidade de absorver picos da vazão e de carga. Sabemos que em algumas épocas do ano, especialmente em altas temporadas, muitas vezes existe o problema de o sistema de tratamento de esgoto ‘não dar conta’. Ou seja, no momento em que é mais necessário pelo grande número de pessoas, ele falha. No entanto, o que acontece não é uma falha e sim a característica que essas tecnologias possuem de limite baixo em absorver picos. Então o wetland mostra sua outra grande vantagem, picos de curto espaço de tempo não levam à falha do sistema, desde que estes casos sejam verificados adequadamente durante o projeto. Nenhum outro sistema para tratamento de efluentes pode trazer esta tranquilidade.

parte-sistemaParte de um sistema Wetland da Rotária na escola Waldorf em Lima, Peru. Lima é situado em um deserto e suas áreas verdes dependem da irrigação, neste caso o efluente tratado é usado para irrigação do campo escolar e assim economiza mais de 50% do uso de água potável da escola.

 

Experiências da Rotaria do Brasil com sistema wetland

Desenvolvemos nos últimos 15 anos mais de 50 projetos de sistema wetland para diversas situações. Contamos com várias experiências em adaptar este tipo de tratamento, mesmo em situações com limitação de espaço. Introduzimos no Brasil, por exemplo, o conceito de sistema wetland aerado, que permite reduzir a área utilizada para o tratamento de forma significativa. Realizamos também projetos com utilização de sistemas wetland como pós-tratamento de sistema compacto.

imagem-verde“Imagem verde” para seu empreendimento, mesmo com pouco espaço, Wetland aerado da Rotaria do Brasil em São Francisco de Sul para tratar os efluentes domésticos de uma fábrica

 

Dr. Christoph Platzer, um dos sócios da Rotária do Brasil, é especialista internacional de sistema wetlands e, em seu doutorado na Alemanha, estabeleceu o modelo de dimensionamento de wetland, considerando a remoção de nutrientes e pesquisando a recuperação de wetlands depois de sua sobrecarga, processo chamado de colmatação (obstrução de poros de filtro de wetland). A Rotaria adaptou estas experiências para as condições no Brasil e continua a cooperar com Universidades, especialmente a UFSC no Brasil e UNALM no Peru; em suas pesquisas. Apesar de vários projetos realizados em nível nacional, Rotária continua a atender com seus parceiros da associação Global Wetland Technology (GWT) também projetos no nível internacional.

Conheça as soluções que a Rotária do Brasil oferece e nos consulte sem compromisso para oferecer um projeto adequado às suas necessidades.